sexta-feira, 3 de junho de 2011

Abismos : Fernando Pessoa

"Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
Fernando Pessoa

quinta-feira, 31 de março de 2011

Flauta de vento

Vapor
Descortine
O infinito
Onde ele acaba

Que seja roubado
Pelo horizonte
O universo

Mas que neste
Assalto se mostre
Ao longe
A utopia
Sólida.

Que a vista
Seja completa
Da caravela
Perdida no mar
De horizontes

Pela janela
A utopia se mostra
Viva e luminosa
É de fato um grande baile!

A flauta de vento
Reina soberana
Sobre o descortinado
Infinito
Até seu fim.

É uma flauta
Esculpida pelos anjos
Branca como a mais
Lendária cidade de mármore!

Sólida como foi Tróia
Amável como o mais puro
Coração

É vento
E dedilhado
Mármore e brasa
É fogo
Queimando ao tempo
Apenas
Uma flauta de vento
Reina sobre nós!

Pedro A.R.Furtado.

Café da manhã

Devia parar de me colocar
Nestas histórias matinais
De ser o jornal sobre o balcão
Em romances de café da manhã
Quando a chuva começa a cegar o chão
E rasgou o manto do céu
Devia esquecer a teoria das cordas
Que está na fumaça do café
Em vapor
Mas parece que está curva
Desliza também lá fora
E em Andrômeda
Andrômeda entre estrelas.


Pedro A.R.Furtado.

sábado, 18 de setembro de 2010

Abelha, caravele e eu.

Como mal ancorada abelha
Do mel de teus cabelos
Em negro mar,
O mar das esferas
A caravela
Minha
Insiste
Em auxilio aos sonhos
Perdemos os portos
Por amar mais a brisa
Pura do sonhar
Insistimos como a abelha
Abelha
Caravela
E eu
Todos mal ancorados
Nos vazios deixados pelo mundo
Sonhos rabiscados
Bem sabes que são riscos?
Apenas riscos, mas de significado!
Pois a muito este veleiro
De caravela
Carrega por mares o coração
Navegante insistente
Como a abelha
Pelo mel de teus cabelos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Primeiro baile

Ó janela
De doce amanhecer singular
Para min. a mais bela
Contigo o piano é par perfeito
Galáxias há por ali
Em mil versos descrição
Não cabe
Meus anjos e dragões
Tuas belezas desmerecem
Pois cada virgem amanhecer
Tu nasces mais bela
Como a caixinha de musica aberta
É encantadora e misteriosa
Como o universo
Soberana de meu quarto
Pois possui as belas bailarinas
Desde a primeira hora do concerto
E a cada fatia de sol
Que virgem amanhece
Com a flauta
O coração levanta
És suave e poemas
Por mais melosos
São rancorosos
Com doce simplicidade
Primeiro baile de galáxias
Matinais.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Branco açúcar, escura queda.

E está queda que me vêem agora?

Uma queda de inexistências
...Inconsistências
Cortinas embaraçadas
Quase imperceptíveis
Vistas a um olhar
De uma única fatia de sol
Sonho no olhar
Com as cortinas
Se entregando a força
De escuras estrelas
As cordas sendo consumidas
Em movimentos de ondas
E espirais
Cortinas de cordas
Em fuga de nosso contato
Micro resumo
Da imensa caixa
Desconhecida
São febre
E um piano de corda
Branco açúcar
Do imaginário
Vapor.

Pedro A.R. Furtado, julho de 2010.

domingo, 20 de junho de 2010

Amores e Roubos

Traição
Surdos estão os radares
Tudo a pirataria
Destes dias toma
Roubos e amores
Iguais são
De surdos parafusos
Os soltos captadores
De torrões de açúcar
Acordes
Salgados os personagens
Dos ciclos de horas
De nossas vidas
Tardes, anoitecer e manhãs
Tão convencidos
Pelas fichas e vistas
“Leituras” e leituras
Mal sabem que nem todas
As orbitas estranhas
Daqui estão longe
Convencem-se por traços
E mal traçados versos.
De belos epiciclos
O olhar encantado
Que ainda ousa medir-se
Atenta ao diferente
De amores e roubos
Perfeitamente iguais.

Pedro A. R. Furtado, 19/06/10.